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29 de Março, 2018

Como sobreviver num mundo em que há (pouca) segurança de dados

A questão da segurança dos dados e de como nossas pegadas digitais (tudo aquilo que escrevemos e ao que reagimos na internet) podem ser utilizadas veio à tona com a denúncia envolvendo o Facebook e a empresa Cambridge Analytica, que teria utilizado dados de milhões de usuários da maior rede social do planeta para ajudar a eleger Donald Trump, por meio de informações sutis que fizessem indecisos votarem no então candidato republicano a presidente dos EUA.

O sujeito que denunciou a história, o co-fundador da Cambridge Analytica Christopher Wylie, foi mais longe e disse que a empresa já havia atuado em outras campanhas, como o plebiscito sobre a saída do Reino Unido da UE (o Brexit) e em eleições nacionais em outros países. Estaria, inclusive, de malas prontas para usar o mesmo método no Brasil em 2018.

O Facebook tentou fazer a egípcia no início, mas quando surgiu a campanha #DeleteFacebook, da qual fez parte até o criador do WhatsApp, a empresa mudou de estratégia: suspendeu a conta da Cambrige Analytica e despachou advogados para conter o alvoroço no Congresso americano e no Parlamento britânico e alegou ainda estar investigando como tudo aconteceu.

O CEO Mark Zuckerberg promete rever as políticas da empresa e sobretudo tornar mais simples e acessível aos usuários as configurações de privacidade, a porta de entrada pela qual a Cambridge montou a operação que consistia em montar perfis de eleitores a partir dos dados coletados dos usuários: entre outras, suas reações a assuntos chave como “aborto”, “porte de armas”, etc.

COMO COMEÇOU

Sabe quando você autoriza o Facebook a conectar um aplicativo qualquer à sua conta para evitar a necessidade de fazer um novo login/senha? Pela política da rede social, fazendo isso, você permite que alguns de seus dados – seus contatos, por exemplo – sejam compartilhados com este mesmo aplicativo.

Em 2015, um app chamado “thisisyourdigitallife” coletou dados de 270 mil pessoas e depois os repassou para a Cambridge Analytica (e isso viola as regras do Facebook). Ao descobrir a trapaça, o Facebook disse ter mandado a empresa apagar os dados, mas alega que só recentemente desconfiou não ter sido atendido. Em 2016, a Cambridge coletou dados de 50 milhões de americanos.

Para o Facebook, ser percebido como uma rede com viés político é um pesadelo. E essa história se junta à suspeita de que perfis russos teriam espalhado fake news para eleitores americanos com objetivo de criar a polarização que tanto favoreceu Donald Trump em seu caminho para a Casa Branca.

Logo em seguida, surgiu outra reclamação: a de que o Facebook monitorava ligações e SMSs enviados por usuários de celulares e tablets com o sistema Android. De acordo com a empresa, isso seria uma forma de facilitar a experiência do usuário tanto no Facebook quanto no Messenger e que cada pessoa tem opção de permitir ou não esse acesso.

Como se proteger, afinal? Há três precauções básicas que esse escândalo sugere:

1 – Conter seu discurso em aplicativos, preferindo os encriptados (com proteção para os textos que você escreve)

2 – Revisar as políticas de privacidade dos aplicativos que você usa para restringir que tipo de informações você permite que seja compartilhada.

3- Cuidado com o que você ler na rede, especialmente depois que o Facebook mudou o algoritmo para exibir menos conteúdo noticioso de forma orgânica (sem ser patrocinada) e mais postagens de pessoas físicas. Essa medida afeta menos os blogs e perfis falsos que espalham fake news por aí.

4- Só compartilhe um conteúdo se você tiver certeza de que a informação é de fonte confiável.

Em outra frente, é preciso lembrar que o uso de dados como localização, contatos, etc. não tem apenas objetivos “maléficos”. Eles também são utilizados para melhorar a experiência do usuário. Lembre-se que ficar de fora das redes não é mais uma opção viável, para grande maioria das pessoas e também para empresas.